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Momo se deixa levar pela rítmica afro-brasileira em 'Tum tum tum', oitavo álbum em 20 anos de obra fonográfica

Momo lança o oitavo álbum, 'Tum tum tum', produzido pelo artista em Londres Sophia Poole / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Tum tum tum Artista: M...

Momo se deixa levar pela rítmica afro-brasileira em 'Tum tum tum', oitavo álbum em 20 anos de obra fonográfica
Momo se deixa levar pela rítmica afro-brasileira em 'Tum tum tum', oitavo álbum em 20 anos de obra fonográfica (Foto: Reprodução)

Momo lança o oitavo álbum, 'Tum tum tum', produzido pelo artista em Londres Sophia Poole / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Tum tum tum Artista: Momo Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♬ Para Momo, nome artístico do cantor e compositor Marcelo Frota, a saída foi aeroporto. Vinte anos após o primeiro álbum, “A estética do rabisco” (2006), o artista de origem mineira chega ao oitavo álbum, “Tum tum tum”, já radicado em Londres, Inglaterra, para onde Momo migrou após residir em Portugal durante alguns anos. Como o título onomatopaico já sinaliza, “Tum tum tum” é álbum calcado na rítmica, em especial nas levadas afro-brasileiras de gêneros musicais como o samba e o ijexá. A ênfase no ritmo já fica evidenciada na primeira das oito faixas do álbum, “Egum eô”, parceria de Momo com Wado outro militante da cena indie que vem construindo discografia artesanal, às margens do mercado. “Eu sempre transitei livremente por caminhos estéticos diferentes. Desde o começo da minha carreira, nos meus primeiros discos, o folk psicodélico já ditava o tom das minhas canções. Ao longo dos últimos anos e trabalhos, fui introjetando o samba e ritmos mais brasileiros à minha identidade. O ‘Tum tum tum’ funciona como um apanhado e uma síntese madura de todos os estilos que acumulei na bagagem”, situa Momo, resumindo o percurso que o conduziu ao álbum gravado e mixado em Londres (entre setembro e novembro de 2025), masterizado em Nova York (EUA) em janeiro deste ano de 2026 e editado ontem, 19 de junho, pelo selo indie alemão Agogo Records, inclusive no formato físico de LP com arte assinada por Raissa Pardini e Conor Lumsden. O ritmo também é senhor na batida do congá mencionada na letra de “Vermelho e rosa”, outra parceria de Momo com Wado. A opção estética se afina com o percurso geográfico desse talentoso artista cuja música atualmente é mais absorvida e consumida pelo público do mercado europeu. O clima levemente psicodélico de “Dream of samba”, música memorialista composta em inglês por Momo em parceria com Luiz Bruno, confirma o público a que se destina preferencialmente o álbum “Tum tum tum”. Sintomaticamente, Marcos Valle – um dos expoentes da bossa brasileira de alcance planetário – figura como convidado (tocando piano elétrico) e parceiro de Momo em “Morena”, envolvente samba também assinado por Marcelo Camelo, produtor do quinto álbum do artista, “Voá” (2017), arquitetado quando Momo vivia em Lisboa. Pelo caráter melódico mais rarefeito, “Tum tum tum” é álbum situado em porto distante de “Serenade of a sailor” (2011), a marítima obra-prima de beleza inebriante apresentada por Momo há 15 anos, ainda que exale certo frescor nos arranjos (criados coletivamente pelo artista com o baterista francês Thomas Broda e o percussionista Jim Le Mesurier) e apresente repertório de bom nível. Música valorizada pelo arranjo encorpado com órgãos e sopros, “Dente d’ouro” – parceria tríplice de Momo com Marcelo Camelo e Wado – é a joia de mais alto quilate da safra autoral de “Tum tum tum”. Mais uma parceria de Momo com Wado, “Tudo que se tem” evolui na cadência estilizada do ijexá em sintonia com a letra que menciona o afoxé entre versos poéticos como “No dançar da primavera / No desenho nas suas costas / Sob o linho mora o rio / Do teu corpo de rosa”. “Tudo que se tem” é outro ponto alto de álbum que traz a cantora Nina Miranda – vocalista da banda inglesa Smoke City – no dueto bilíngue, em português e inglês, de “Canto de aldeia” (Momo, Wado e Nina Miranda). No arremate de “Tum tum tum”, o sambossa-canção “Tranquilo” – composto por Momo com Thiago Camelo quando ainda morava em Lisboa – evolui em clima zen, com percussão suave e o sopro cool de um saxofone, em faixa mais melódica que destoa do tom deste bom álbum em que Momo se deixa levar pelo ritmo. Capa do álbum 'Tum tum tum', de Momo Arte de Raissa Pardini e Conor Lumsden